Ada Lovelace e as Pioneiras da Computação: as mulheres que inventaram o futuro

Antes de existir o primeiro computador moderno, já havia uma mulher programando.

Olá comunidade! 💜

Se você trabalha com tecnologia hoje (ou está aprendendo a programar) existe uma chance grande de que você nunca tenha ouvido falar das mulheres que tornaram isso possível.

A história da computação costuma ser contada como uma saga masculina: Alan Turing, Bill Gates, Linus Torvalds.

Mas essa versão está incompleta. Radicalmente incompleta!

Este post é uma homenagem às mulheres que estiveram na origem de tudo, e que, por muito tempo, foram apagadas dessa história.

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Ada Lovelace: a primeira programadora do mundo

Em 1843, uma matemática britânica de 27 anos publicou o que hoje reconhecemos como o primeiro algoritmo da história. Seu nome era Augusta Ada KingCondessa de Lovelace, e o mundo a conhece como Ada Lovelace.

Ada era filha do poeta Lord Byron, mas foi criada pela mãe com uma educação rigorosa em matemática, numa época em que mulheres raramente tinham acesso a esse tipo de formação.

Ainda jovem, conheceu o matemático Charles Babbage e ficou fascinada pela sua “Máquina Analítica”, um computador mecânico que nunca chegou a ser construído completamente.

Quando foi convidada a traduzir um artigo sobre a máquina, Ada não se limitou à tradução: ela adicionou suas próprias notas, que acabaram sendo três vezes mais longas que o texto original.

Nessas notas, ela descreveu um método para calcular os números de Bernoulli usando a máquina, o que os historiadores reconhecem como o primeiro algoritmo criado especificamente para ser executado por uma máquina.

Mas Ada foi além dos números.

Ela foi a primeira pessoa a perceber que uma máquina desse tipo poderia manipular qualquer tipo de símbolo, não apenas números. Que poderia, em teoria, compor música ou processar linguagem.

Ela enxergou o computador antes que o computador existisse.

Ada Lovelace morreu aos 36 anos, em 1852. Seus trabalhos só foram reconhecidos um século depois. Em sua homenagem, a linguagem de programação Ada foi criada pelo Departamento de Defesa dos EUA nos anos 1980.


Grace Hopper: a almirante que inventou o compilador

Se Ada plantou a semente, Grace Hopper fez a árvore crescer.

Grace Murray Hopper foi matemática, cientista da computação e oficial da Marinha dos Estados Unidos, chegando ao posto de contra-almirante. Nos anos 1940, trabalhou com o computador Harvard Mark I, um dos primeiros computadores eletromecânicos do mundo.

Mas sua maior contribuição foi uma ideia revolucionária: e se os computadores pudessem ser programados em uma linguagem mais próxima do inglês, em vez de código binário?

Em 1952, ela desenvolveu um dos primeiros compiladores, um programa capaz de traduzir instruções escritas em linguagem humana para código de máquina. Seus colegas diziam que era impossível. Ela fez mesmo assim!

Esse trabalho influenciou diretamente o desenvolvimento do COBOL, uma das linguagens de programação mais influentes da história, ainda usada hoje em sistemas bancários e governamentais ao redor do mundo.

Grace Hopper também é creditada por popularizar o termo “bug” para erros de programação: conta a lenda que um inseto real entrou no Harvard Mark I e causou um mal funcionamento. Ela colou o inseto no diário de bordo com a anotação: “First actual case of bug being found.”

Ela viveu até os 85 anos e recebeu, postumamente, a Medalha Presidencial da Liberdade em 2016.


As “Computadoras” da Segunda Guerra Mundial

Durante a Segunda Guerra Mundial, antes de existirem computadores eletrônicos, os cálculos militares eram feitos por pessoas. Essas pessoas eram chamadas de “computadoras”, e a maioria era mulher.

Elas calculavam trajetórias balísticas, tabelas de tiro e rotas de navegação. Um trabalho crítico, repetitivo e matematicamente exigente, feito à mão.

Quando o primeiro computador eletrônico de propósito geral, o ENIAC, foi construído nos anos 1940, foram seis mulheres escolhidas para programá-lo:

  • Jean Jennings Bartik
  • Frances Bilas Spence
  • Kay McNulty Mauchly Antonelli
  • Marlyn Wescoff Meltzer
  • Ruth Lichterman Teitelbaum
  • Betty Holberton

Elas não tinham manual. Não tinham linguagem de programação. Tinham apenas os diagramas de circuito da máquina e precisaram descobrir como fazer o ENIAC funcionar do zero.

Na inauguração oficial do ENIAC, em 1946, elas não foram apresentadas. Foram confundidas com modelos que posavam para as fotos.

Suas contribuições só foram amplamente reconhecidas décadas depois, quando a historiadora Kathy Kleiman as rastreou e documentou no projeto ENIAC Programmers.


Katherine Johnson, Dorothy Vaughan e Mary Jackson: as mentes por trás da corrida espacial

Se você assistiu ao filme Talentos Ocultos (Hidden Figures, 2016), já conhece essas três mulheres. Se não assistiu, coloca na lista agora.

Katherine Johnson calculou manualmente as trajetórias dos primeiros voos espaciais da NASA, incluindo missões do programa Apollo, que levou o homem à Lua. Quando os computadores eletrônicos foram introduzidos, o astronauta John Glenn recusou-se a voar sem que Katherine conferisse os cálculos. Ele confiava mais nela do que nas máquinas.

Dorothy Vaughan foi a primeira supervisora negra da NASA e aprendeu sozinha a programar o computador IBM que chegou para substituir as “computadoras humanas”, e ensinou suas colegas a fazer o mesmo, garantindo que todas continuassem empregadas.

Mary Jackson foi a primeira engenheira negra da NASA e lutou na justiça para ter o direito de frequentar aulas em uma escola para brancos, aulas que eram requisito para sua promoção. Ela conseguiu.

As três trabalharam numa época em que precisavam usar banheiros separados, entrar por portas diferentes e superar barreiras que nenhum colega homem, branco, enfrentava. E mesmo assim, fizeram história.


Hedy Lamarr: atriz de Hollywood e inventora do Wi-Fi

Sim, você leu certo.

Hedy Lamarr foi uma das maiores estrelas do cinema dos anos 1940, e também inventora. Durante a Segunda Guerra Mundial, ela co-desenvolveu um sistema de comunicação por “salto de frequência” para dificultar o bloqueio de sinais de rádio pelos inimigos.

Essa tecnologia, patenteada em 1942, é uma das bases conceituais das tecnologias modernas como Wi-Fi, Bluetooth e GPS.

Sua patente expirou antes que a tecnologia fosse adotada comercialmente, então ela nunca recebeu royalties. Só em 1997, aos 82 anos, ela foi reconhecida com o prêmio EFF Pioneer Award.

Hedy costumava dizer: “Qualquer garota pode ser glamourosa. Tudo que você precisa fazer é ficar parada e parecer estúpida”. Ela fez o oposto disso a vida toda!


Por que essa história foi apagada?

Não foi acidente. À medida que a computação foi ganhando prestígio e dinheiro ao longo dos anos 1960 e 70, as mulheres foram sendo empurradas para fora da área.

Estudos mostram que a participação feminina em ciência da computação cresceu junto com outras áreas até meados dos anos 1980, e então despencou, justamente quando os computadores pessoais chegaram aos lares e foram sendo comercializados como “coisa de menino”.

O apagamento dessas histórias não foi só injusto. Foi um desperdício enorme de talentos, perspectivas e potencial de inovação.


O que fazemos com isso agora?

Conhecer essa história muda alguma coisa. Muda a forma como você se vê dentro da área. Muda a resposta para quem diz que “tecnologia não é coisa de mulher”, porque, tecnicamente, mulheres estiveram na origem da computação moderna!

E muda também a responsabilidade que carregamos: a de contar essa história, de mencionar essas nomes, de garantir que as próximas gerações saibam que chegaram até aqui sobre os ombros de gigantes.

Gigantes que usavam saia. ❤️


Saiba mais

Se você quiser se aprofundar nessas histórias, aqui vão algumas sugestões:

  • Filme: Talentos Ocultos (Hidden Figures, 2016)
  • Documentário: The Computers – sobre as programadoras do ENIAC
  • Livro: As Mulheres que Calculavam, de Margot Lee Shetterly (base do filme)
  • Iniciativa: Ada Lovelace Day – celebrado toda segunda terça-feira de outubro

Você conhecia alguma dessas histórias?

Conta nos comentários qual te surpreendeu mais, e compartilha com aquela amiga que ainda acha que “não tem jeito para tecnologia”.